E agora? Quem poderá nos ajudar? 2ª parte

 

Sérgio Lopes

 

 

A revelação de uma conversa gravada de um dos principais ministros do atual governo vieram trazer um pouco mais de luz (ou seria escuridão?) sobre os acontecimentos políticos recentes. O sr. Romero Jucá deu a entender em sua conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que era necessário uma ‘mudança no governo’ (leia-se impeachment) para “estancar a sangria” representada pelas investigações da Operação Lava Jato, capitaneada pelo juiz federal Sérgio Moro.

A revelação dessa gravação é notícia estampada em todos os notíciários deste dia 22/05/2016 e mostra como a articulação do impeachment de Dilma Roussef era só parte de um outro esquema para acobertar o esquema investigado na Lava Jato.

Nos últimos tempos mídia promoveu uma polarização na opinião pública, dividindo as pessoas em contra o governo Dilma ou a favor do governo Dilma. Na verdade, essa polarização acabou escondendo o que de fato acontece na nossa política: a corrupção está minando as riquezas do Brasil e nos condenando a uma eterna síndrome de vira-latas. Assim como a corrupção não acabou no meio político com o impeachment de Collor, também não vai acabar com o de Dilma Roussef. Ao contrário, os esquemas de propinas e desvios de verbas continuam a existir, como ilustra o sr. Jucá.

A palavra de ordem que eu penso que deveria ser adotada por todo brasileiro que tem vergonha na cara é: “tolerância zero para a corrupção!”. Isso incluiria não admitir que qualquer governo que fosse se compusesse de nomes investigados em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, desvios de recursos públicos etc.

O ranço que se criou contra a esquerda no Brasil turvou a visão das pessoas que condenam quem é de esquerda sequer sem conhecer idéias ou propostas desse campo ideológico. Por outro lado, a esquerda cultivou uma certa mentalidade que enxerga conspiração em tudo. Isso é o que leva à miopia dos petistas ao afirmar que o impeachment é golpe. Eu até acho que existe um certo golpe, mas não da maneira como os petistas enxergam. Eles acham que o golpe é contra o PT por causa de sua história de luta em favor dos trabalhadores, pelos avanços sociais e blá, blá, blá… Eu acho que há um golpe porque o impeachment é, na verdade, apenas um lance em um jogo que pretende acobertar o que, de fato, acontece nos meios políticos: negociatas, favorecimentos, maracutaias de todo tipo…

Assim, como Romero Jucá sugere, o governo Temer apareceria como um salvador da pátria que livraria o País da voracidade dos corruptos de esquerda e traria crescimento econômico e credibilidade ao Brasil. Na verdade, isso é só fachada, como diz o próprio Ministro do Planejamento. É claro que ele não deve durar muitas horas mais no comando do Ministério. Vão excomungá-lo, a exemplo do que aconteceu com o sr. Delcídio do Amaral. Vão dizer que o Temer não sabia de nada disso e que foi uma ação isolada do ex-senador que, como sabemos, é investigado na Lava Jato, a exemplo de outros colegas que ocupam pastas no atual governo federal.

Mas, não é só o PMDB que, agora, está no olho do furacão: o PSDB também, como podemos ver na matéria da FSP: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1774044-em-conversa-juca-afirma-que-caiu-a-ficha-do-psdb-sobre-operacao.shtml.

Agora, não é mais uma questão de ser a favor de Dilma ou contra Dilma, a favor de Temer ou contra Temer, a favor de Aécio ou contra Aécio: trata-se de saber qual parcela de cada um dos três poderes não está contaminada por esse câncer da corrupção!

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Para onde iremos? II

 

Sérgio Lopes

 

Considerando o nível de manifestações de opinião dos usuários do Facebook e do Whatsapp, poderíamos dizer que estamos vivendo um uma época em que as pessoas estão altamente politizadas. São tantos posts criticando o governo, pedindo a cabeça da presidente, xingando o Lula e o PT, conclamando as pessoas a irem às ruas, a compartilhar protestos, ou usar roupas de cores específicas que representem um estado de ânimo frente à conjuntura atual que poderíamos inferir que o povo brasileiro nunca esteve tão politizado como agora. Só que não!!

Antes de dizer o que direi nas linhas abaixo, quero manifestar meu total descontentamento com o governo do PT, com os rumos que o partido tomou depois de chegar ao poder e afirmar que foi uma grande decepção! Sim, acho que o PT não merece mais governar o País!!

Pois bem, no final da década de 1970, eu era um adolescente que estava começando a descobrir a vida, digamos. Iniciei minha participação em um grupo de jovens da Igreja Católica que foi muito importante em minha formação intelectual e como cidadão também. Por meio desse grupo, tive a oportunidade de conhecer alguma coisa da realidade em que vivia o Brasil. Estávamos no último período da ditadura militar, que começou em 1964, e o general Figueiredo (presidente de então) seguia com a sua “distensão lenta, gradual e segura”, fazendo a transição para um governo civil sem grandes rupturas e sem maiores traumas.

Era 1979 e eu tinha 13 anos, fiquei intrigado com todas as informações que chegaram a mim e passei a me interessar por política, sem nunca ter tido influencia familiar ou de amigos para o fato. Comecei a devorar livros e jornais, em busca de notícias e idéias que me permitissem tomar posição sobre o que acontecia no Brasil. Lembro-me de que minha mãe trabalhava em uma biblioteca de uma subseção da Secretaria de Educação do Estado de MG e eu pedia a ela para trazer os jornais velhos que eles iriam jogar fora toda semana para que eu pudesse ler. Eu não podia comprar, então lia notícias velhas, com certo atraso. Mas, o que mais me importava eram as colunas de análises de vários comentaristas do JB, d’O Globo e da Folha de São Paulo, eles muito me ajudaram a ir compreendendo o que se passava com a nossa nação.

Eu me tornei um jovem muito afoito por fazer grandes discussões e análises sobre o nosso processo político e formar opiniões. Mas, a galera da minha idade não tinha a mesma sensibilidade. Por isso mesmo, eu sempre curti conversar com pessoas mais velhas e mais informadas.

Ao longo desses mais de 30 anos, eu não vi grandes mudanças no processo de formação da consciência crítica das pessoas com as quais convivi. A maioria sempre foi alheia ao que acontecia na política. Sempre desdenhou as discussões mais importantes e sempre votou por conveniência. Eu vi muita gente que era anti-Lula e anti-PT virar petista de carteirinha porque conseguiu alguma vantagem ou algum benefício ao longo desse tempo.

Agora, que a bomba explodiu no colo de todos nós, todas as pessoas que tiveram algum ganho de padrão de vida ao longo dos últimos 12, 13 anos, estão radicalmente posicionadas contra o PT, contra Dilma e contra Lula. Só que tudo não passa de uma insatisfação porque a água “bateu na bunda”.

Eu acho que, talvez, se tivéssemos sido mais críticos politicamente, desde quando tivemos a primeira eleição presidencial pós-ditadura militar, tivéssemos um cenário diferente. Mas, ninguém quer discutir nada. Todo mundo quer tirar Dilma e Lula, mas e depois? O que vem a seguir? Quem vai assumir? O PMDB que está tão sujo quanto? O PSDB, que já não tem nenhuma credibilidade? O PSC? O DEM?

Fazer oba-oba na rua é fácil! Difícil é construir um País sério!!

“Trabalha e Confia”! Esse é o lema positivista da bandeira do Estado do Espírito Santo. Todos estamos trabalhando, mas em quem vamos confiar?

Acho que chegou a hora de sairmos da nossa zona de conforto e discutirmos entre nós o que fazer para ir pra frente e deixar pra trás esse legado maldito da corrupção, que não começou com o PT, que já está arraigado em nossa cultura. Talvez, devamos começar a abandonar a ideia do “jeitinho brasileiro”, a falta de sensibilidade para com a situação do próximo e parar de ocupar indevidamente as vagas de estacionamento para idosos e deficientes, não furar mais filas, enfim, parar de barganhar vantagens em troca de favores.

O Brasil tem jeito se nós quisermos dar um jeito nele. Mas, todos teremos que por a mão na massa! Acreditemos nisso!

 

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Para onde iremos?

 

Sérgio Lopes

 

Nós, brasileiros, estamos encurralados. A experiência democrática após o término do período de exceção do governo militar não tem sido satisfatória. Primeiro, depois de uma ampla campanha popular pelas diretas, fomos obrigados a engolir uma eleição indireta para presidente da república, em que foi escolhido um candidato que nem chegou a tomar posse, sendo substituído pelo seu vice, o sr. Sarney, um dos grandes amigos do regime militar. O mesmo Sarney que, agora, em tempos recentes, vem sendo um dos caciques do PMDB, ao lado de outros ilustres políticos que já estão, há décadas, mamando nas tetas do Brasil, tais como o sr. Collor, o sr. Calheiros, entre outros.

O PSDB, que nada mais é do que uma derivação do PDMB, também tem sua história. Não precisamos entrar no mérito dos fatos que são conhecidos por todos.

O que torna a situação mais desesperadora é que o PT, que surgiu como uma promessa de um novo jeito de fazer política em benefício dos brasileiros, acabou aderindo aos esquemas já tradicionais que sempre combateu. Aí, temos, então, um cenário verdadeiramente apocalíptico na política brasileira: não sabemos mais em quem confiar. Quem é o político que podemos chamar de honestos?

Se olharmos com atenção no Facebook, vemos os movimentos de alguns pré-candidatos às eleições deste ano criticando as prefeituras, os governos estaduais, o federal, mostrando tudo o que tem de ruim nas cidades e se apresentando como legítimos defensores da moralidade e de uma vida melhor para a população. Mas, a história é velha. Já sabemos que, depois das eleições, toda essa conversa é esquecida e a preocupação principal desses senhores passa a ser garantir para si e para os seus os privilégios e regalias a que a maioria do povo brasileiro não tem acesso.

Os escândalos de corrupção no governo do PT, infelizmente, não são novidade e nem serão os últimos. A corja que pede a cabeça desse acidente presidencial que se chama Dilma não tem respaldo moral para criticar ninguém. Vejam os joguetes que o presidente da Câmara faz por meio de ameaças veladas (ou expressas), manipulação da pauta de votação, enfim, atuando em nome do mais legítimo interesse pessoal e da sua corriola.

Os partidários de Lula e Dilma têm dado uma demonstração cabal da mais pura incompetência, ao tratar desses assuntos, ou seja, ao dar explicações para os escândalos (ou não dá-las), ao tentar escamotear a discussão, ao contra-atacar acusando os adversários com outros escândalos e apelando para o baixo nível. Nisso, o pessoal do PMDB, do PSDB, do DEM e outros derivados são profissionais e competentíssimos. Vejam o sr. Maluf: nunca foi preso e está aí “de boas”. O mesmo diga-se do sr. Sarney, do sr. Collor, do sr. Calheiros, do sr. Cunha…

Em junho de 2013, o povo esteve nas ruas em uma legítima manifestação de insatisfação contra todas as mazelas trazidas pelos sucessivos governos. Não havia partido, sindicato ou associação mobilizando, as pessoas foram às ruas espontaneamente. Não é isso o que ocorre agora, nessa convocação para ir às ruas neste domingo, 13 de março. Agora, há uma articulação política por trás desse movimento, que se aproveita da insatisfação geral que todos os brasileiros sentem para dar a ilusão de que a moralidade vai ser restabelecida.

Não estou defendendo o PT, nem Lula, nem Dilma. Quem me conhece, sabe que fui petista, mas que me afastei do partido há mais de 20 anos. Estou apenas ponderando para dizer que estamos em um beco sem saída. As pessoas vão à rua protestar, talvez haja o impeachment, mas o que vem depois? Deveríamos estar discutindo isso.

Eu defenderia que se convocassem novas eleições, o que não seria, necessariamente, uma solução, mas apenas para que fossem conduzidas ao comando da nação, pessoas com respaldo popular e não golpistas de plantão.

Na minha opinião, o PT merece sair do governo, mas quem merece ir para o seu lugar?

Só nos resta perguntar, como perguntei em um post anterior: “Oh!! E agora? Quem poderá nos ajudar?” (https://pensamentoeliberdade.wordpress.com/2016/01/05/oh-e-agora-quem-podera-nos-ajudar).

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O direito de nascer

Abort2

 

Sérgio Lopes

Há poucos dias, tive uma discussão com meu filho de 17 anos, depois que vi no perfil dele no Facebook, que ele tinha alterado a foto do perfil dele, mesclando com uma espécie de capa que algumas pessoas estão criando para sobrepor as fotos como forma de demonstrar adesão a certas ideias ou campanhas. Como exemplo do que estou dizendo tem aquele degradê colorido, que sugere um arco íris, como forma de indicar que a pessoa defende os direitos LGBT. Trata-se de um apelo visual bem direto e objetivo. Quem vê a foto alterada com aquela sobreposição logo conclui que se trata de alguém que é ou defende as “minorias” discriminadas por sua orientação sexual.

Pois bem, eis que eu me surpreendi quando ele exibiu a sua foto de perfil com uma sobreposição em favor da legalização do aborto. Era uma foto dele com os dizeres mais ou menos assim: “Legalização do aborto: eu apóio” e ainda fazia referência ao dia 8 de março (dia da mulher).

Quando ele aderiu à campanha LGBT eu não falei nada, mas agora, eu me vi na obrigação de falar. Apesar de que eu praticamente falei sozinho e ele me retrucou muito pouco, mas eu não podia ficar quieto, vendo um garoto de 17 anos que ainda não tem o devido preparo para a vida se engajar em uma campanha tão problemática como essa, expressando uma opinião que eu sabia não ser a dele.

Eu só argumentei com ele que as pessoas mais sérias que discutem o assunto admitem a possibilidade do aborto em três situações que, embora discutíveis, podem até ser justificáveis de certo modo: gravidez resultante de estupro (porque não foi uma escolha da mulher), gestação com grave risco de vida para a mãe (pois trata-se de escolher por uma vida, já que não há garantias, inclusive, de que o bebê permaneça vivo enquanto a mãe morre e, por fim, não menos polêmica e problemática, quando se verifica má formação do feto, indicando que ele terá uma vida vegetativa (como ocorre, por exemplo, nos casos de anencefalia). Em nenhuma dessas hipóteses, a decisão é fácil. Eu nunca passei por isso, mas imagino que as pessoas que tiveram experiências relacionadas a essas circunstâncias devem ter sofrido e sofrem muito. Fora disso, quaisquer outras justificativas para se legalizar o aborto não são moralmente aceitáveis.

Meu filho me rebateu dizendo que o aborto já existe e quem tem dinheiro para pagar faz sem nenhum problema, mas aqueles que não têm dinheiro, sofrem em situações clandestinas de alto risco. Eu só respondi dizendo que precisamos pensar na seguinte questão: quem é que quer fazer um aborto?

Há uma longa discussão sobre se podemos considerar que um embrião recém formado é uma pessoa, se possui personalidade e, portanto, se poderia ser considerado portador de direitos a serem preservados juridicamente. Não vou entrar nessa discussão, porque há muitas contribuições relevantes a esse debate e quem quiser pode pesquisar que vai encontrar opiniões valiosas sobre o assunto. Mas, eu penso que, quando observamos o desenvolvimento da vida (seja humana ou não), entendemos que ela é um processo que tem o seu começo e o seu fim. Quem nunca observou uma semente germinando? Todos, certamente, já fizeram na escola aquela experiência de colocar um caroço de feijão sobre um algodão molhado e admirar o que acontece com o passar dos dias. É a vida florescendo e se desenvolvendo. Ou seja, a vida estava, já, latente na semente que só precisou de ambiente adequado para desabrochar. Eu me lembro muito bem como a minha esposa se sentiu no momento da concepção de nossos dois filhos. Ela me relatou que tinha certeza de que tinha engravidado. Foi uma sensação diferente e maravilhosa, segundo ela. E isso foi, assim, em questão de algumas horas, após a nossa relação. E ela não estava errada. Ela, de fato, tinha engravidado e sentia a vida já crescendo dentro dela. Nossos dois filhos foram desejados e feitos com muito carinho e era verdade o que ela estava sentindo. Como dizer, então, que ali não tinha vida. Que o que estava dentro dela não era nada, que não tinha direitos e que poderia ser descartado? Essa foi a pergunta que lancei ao meu filho.

Quando se usa a expressão legalização do aborto, para mim, soa como se fosse mais uma opção que as pessoas teriam para evitar ter filhos. Que o aborto seria aceito indiscriminadamente. E foi isso mesmo que meu filho disse. Ele apoiava porque acreditava no direito de as pessoas escolherem não ter filhos. Em resposta, eu disse que para não ter filhos, havia muitas opções à disposição da pessoa, a começar pela abstinência sexual. Mas, poderiam, caso quisessem praticar sexo sem restrições, utilizar métodos contraceptivos já existentes: preservativos, DIU, pílula anticoncepcional etc., além de poderem apelar para uma esterilização cirúrgica, tanto masculina quanto feminina. Tudo isso existe e é permitido por lei. Qualquer um pode fazer. Mas, dizer que matar uma vida em desenvolvimento é uma opção para quem não quer ter filhos é um absurdo extremo.

Veja bem que eu não estou, aqui, apelando para argumentos religiosos. Sabemos que o aborto não foi legalizado no Brasil (ainda, ao menos) por pressão de setores religiosos, tanto católicos como evangélicos. Apesar de o Estado brasileiro ser laico, certos valores religiosos ainda têm grande influência sobre certas decisões políticas.

Mas, essa discussão sobre o aborto é muito antiga. Os de mais idade vão se lembrar de uma novela que fez muito sucesso em 1964: O Direito de Nascer. Tratava-se da história de uma moça, filha de família aristocrática tradicional que mantinha um romance proibido com um rapaz e fica grávida. Inicialmente, o pai do bebê sugere um aborto, o que a mãe não aceita. Bem, o desenrolar da novela se dá em torno dessa discussão. A novela já teve várias versões no Brasil e em outros países latino-americanos e é baseada em uma radionovela cubana da década de 1940.

É um debate que está longe de ser encerrado e resolvido facilmente. Sabemos que muitos abortos são realizados clandestinamente no Brasil e em toda a parte. O que precisamos é de uma educação que forme pessoas conscientes e responsáveis e não indivíduos com a ideia deturpada de que a vida pode ser descartada como se fosse algo sem valor, em nome de uma liberdade sexual pervertida.

Eu não sei se o meu filho mudou de idéia, mas logo depois da nossa conversa, ele mudou a foto de exibição do Facebook. Eu espero ajudar, com este texto, outras pessoas a refletirem sobre o assunto e formarem sua opinião.

Eu, pela minha formação calcada em valores religiosos, acredito que a vida é um dom de Deus e que merece ser bem cuidada. Apesar de a humanidade não se cansar de produzir situações de degradação da vida, temos que entender que esse é o bem mais precioso que temos. Sem ele, há o que?

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Oh! E agora, quem poderá nos ajudar?

Sérgio Lopes

 

 

2015 terminou como um ano que não gostaríamos que tivesse existido. Algo para esquecer, um lapso temporal que parece ter saído de um filme de ficção científica, em que os personagens dormem e acordam em um futuro sombrio e pós-apocalíptico. Pois bem, 2014, embora tenha sido um ano difícil, terminou com as esperanças renovadas de todo o povo brasileiro de que algo melhor fosse acontecer em seguida. Mas, bastou virar o ano para o pano cair. E aí, vieram fatídicas revelações que nos trouxeram ao estado presente de coisas.

Nunca antes na história deste País estivemos frente a frente com tamanho descaramento dos políticos de modo geral, mentindo e desmentindo, independentemente dos fatos que apontassem para a realidade nua e crua de que eles somente querem o bem para si e os seus mais chegados. Dizer que o PT é responsável por tudo isso é só escamotear a questão, porque, embora o partido de Lula, Dilma & Cia. Ltda. tenha mergulhado de cabeça naquilo que mais nos envergonha, não foram eles que inventaram tudo isso. Eles apenas aderiram tardiamente à prática política mais tradicional, da qual os caciques mais experientes do naipe do sr. Sarney, do sr. Calheiros e outras famílias que estão no poder há décadas são mestres dignos de se imortalizarem como os fundadores de uma escola política que afunda o País e enriquece aqueles que fazem e aplicam as leis, das quais eles mesmos são imunes.

Não é mais possível confiar na classe política brasileira. PT, PSDB, PMDB, PFL, PR, PRP, PTB, PDT, PQP… Que diferença faz? Não há ética na política, nem vergonha na cara dos senhores que comandam essas máquinas de consumir recursos públicos. Enquanto a população sofre com uma saúde pública deplorável, uma educação sofrível, desemprego e inflação, os ilustres “representantes do povo” vão viajar de jatinhos, participar de banquetes, férias na Europa e nos EUA, guardam dinheiro nos paraísos fiscais…

E nós, o que fazemos?

Em 2013, uma coisa inédita aconteceu no Brasil: pela primeira vez, a população se mobilizou de maneira espontânea, em passeatas por todo o território nacional, manifestando sua indignação com o descaso das instituições brasileiras para com os problemas reais que nos afligiam. Foi a coisa mais linda que já se viu! Isso porque não tinha a participação de sindicatos, partidos políticos, movimentos organizados de nenhum tipo. Foi uma legítima manifestação popular. Muita gente já esqueceu disso, mas logo em seguida das manifestações, o Congresso começou a votar e aprovar matérias engavetadas, os Governos nos três níveis começaram a tomar medidas favoráveis ao povo, o Judiciário começou a acelerar julgamentos importantes, tudo porque a legítima pressão que os brasileiros fizeram naquelas passeatas os levou a sentir que a coisa era séria.

Só que isso não poderia continuar assim, senão atrapalharia a dinâmica do poder, da forma como ela sempre funcionou. Então, começaram a infiltrar alguns bandidos e baderneiros nas manifestações, para caracterizar os tais “black blocs”, e desacreditar um movimento espontâneo das massas de brasileiros insatisfeitos. É claro que as pessoas verdadeiramente bem intencionadas jamais iriam querer se misturar com gente que só queria destruir as coisas. Conseguiram, então, jogar um balde de água gelada no povo para colocá-lo em seu devido lugar. Pois bem, não há mais manifestações e a festa continua (para os políticos).

2016 é ano eleitoral! Tudo o que podíamos esperar ou querer para que o nosso País caminhe melhor é que fôssemos capazes de escolher melhor quem vai nos representar na ocupação dos cargos eletivos. Escolher melhor e influenciar as pessoas para que elas escolham melhor. Não está fácil escolher. Mas, não há outro caminho. Que este ano nos traga sabedoria para acertarmos nas escolhas! Será que vai surgir algum Chapolin salvador?

Feliz Ano Novo para todos!

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Essência e aparência (parte 3)

Sérgio Lopes

Quando iniciei este blog, a pergunta fundamental sobre a qual refleti era: de que precisamos para viver? Talvez, neste momento, pudéssemos fazer a mesma pergunta de outro modo: o que é essencial para nós? Muitos podem considerar essa reflexão um tanto supérflua e sem propósito, uma vez que o seu caráter filosófico não resolve questões práticas do nosso cotidiano. Porém, quanto mais eu penso sobre o momento atual em que vivemos, mais eu sinto necessidade de buscar uma resposta a essa pergunta.

Uma das minhas motivações para escrever aqui era a minha insatisfação com o festival de más notícias que a mídia nos serve diariamente: corrupção, violência, catástrofes, todo tipo de mazelas que dominam os noticiários e parece, realmente, que quanto pior, melhor. E, ao que tudo indica, os jornalistas responsáveis pelas pautas acham que não há nada a fazer a não ser dar más notícias todos os dias. Parece que não há nada de bom acontecendo. Lembro-me de ter participado de uma pequena polêmica provocada por um artigo escrito no site Observatório da Imprensa, cujo autor eu já não me lembro. Para quem não conhece, o referido site é uma espécie de revista eletrônica que se dedica a analisar criticamente o comportamento da mídia em relação aos assuntos mais frequentes nas notícias veiculadas. Na minha opinião, presta um grande serviço a quem quer ver o noticiário com olhos críticos porque ajuda a enxergar nas entrelinhas das manchetes.

A tal polêmica consistia em que o autor do artigo fazia uma crítica ao tom acentuadamente pessimista dos meios de comunicação na elaboração de suas pautas diárias, dando sempre maior ênfase aos aspectos negativos dos fatos. Eis que um jornalista do Estadão, do qual também não lembro o nome, fez um comentário ao artigo dizendo que “não existe pauta negativa, existe apenas pauta”. Eu não me contive e entrei na conversa e chegamos a trocar alguns argumentos pelo Twitter, em que eu dizia que “a pauta”, não era um ente autônomo, mas era um “produto” elaborado a partir de escolhas e de uma visão de mundo particular do jornalista que a criou. É claro que essa discussão não resultou em nada porque nem ele me convenceu e nem eu a ele.

Citei o fato para dizer que parece que os redatores e editores dos principais jornais do País acreditam que o tom negativo dos noticiários é algo que se impõe de maneira categórica, sem que eles tenham margem de decisão para direcionar os esforços das reportagens para descobrir coisas boas e construtivas que também acontecem neste mundo.

Bem, o que quero dizer com isso é que os noticiários são também um jogo de aparências travestido de realidade. Querem nos oferecer matérias diariamente que são vendidas como se fossem simples descrição de fatos quando são, na realidade, interpretações muitas vezes enviesadas do que acontece pelo mundo afora.

Eu devia ter uns 13 anos, mais ou menos, quando eu comecei a me interessar por ler jornais. Como eu não tinha dinheiro para compra-los todos os dias, eu lia jornais velhos. Minha mãe trabalhava em um lugar que tinha uma biblioteca que descartava, toda segunda-feira, os jornais da semana anterior para receber os da semana corrente. Eu pedia a ela para trazer os jornais que iriam para o lixo para eu ler. E eu gostava de ler justamente a parte política. Mais tarde, em um curso de formação para lideranças jovens, aprendi com um professor a fazer comparações entre jornais diferentes ou entre notícias dadas em canais diferentes, para descobrir como elas mudavam o enfoque, a ênfase, a interpretação, dependendo de qual empresa de comunicação estava veiculando a matéria. Não creio que eles ensinem isso nas faculdades de jornalismo. Pelo menos eu nunca ouvi falar.

Eu comecei o blog em maio de 2013 e a tônica das notícias não mudou muito. Na verdade, as tragédias de hoje são diferentes das tragédias daquele ano, mas são tragédias. A corrupção revelou novos atores. A violência fez novas vítimas. Mas, onde estão os bons acontecimentos, os exemplos de solidariedade, de convivência pacífica, de justiça social. É claro que eles existem, mas o espaço que ocupam na mídia é ínfimo perto das más notícias. As empresas de comunicação acreditam que precisamos muito mais de más notícias do que de boas notícias.

Só mesmo o Papa Francisco tem merecido destaque na mídia com o seu comportamento humilde, dedicado a construir a paz e a concórdia, espalhando solidariedade e demonstrando a sua vocação para o amor e a bondade. Ele não é o único, mas, talvez, pela posição que ocupa, os meios de comunicação considerem que ele seja importante demais para não ser mostrado.

A frequência com que escrevo neste espaço não tem sido regular, em razão da minha rotina de trabalho e outros afazeres. Nem sempre sobra tempo para escrever, mesmo quando tenho alguma idéia que considero boa. Mas, nos últimos dias, tenho percebido que várias pessoas têm curtido a minha página, algumas que eu nem conheço. Isso me faz concluir que o que escrevo tem algum sentido para alguém, o que me motiva a querer continuar a desenvolver aqui o meu pensamento.

Convido vocês, meus leitores, a refletir comigo: do que, realmente, precisamos para viver? O que é essencial para nós? Vamos decidir isso por nós mesmos ou vamos deixar que decidam por nós?

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Essência e aparência (parte 2)

por Sérgio Lopes

Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentadas, de modo que não podem se mexer nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que, ao longo dessa estrada, está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas (Sócrates em A República de Platão, Livro VII).

Há pouco tempo o comentarista Arnaldo Jabour lembrava, em um de seus comentários na Rádio CBN, que um dos principais motivos de revolta no Brasil Colônia, à época de Tiradentes, era o excessivo peso dos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa sobre a produção econômica tupiniquim, principalmente em relação à exploração do ouro das Minas Gerais. Pois bem, segundo o nosso comentarista, os 20% cobrados pelos portugueses, que foram chamados de “quinto dos infernos” (é daí que vem a expressão), agora, podem ser considerados modestos, diante dos quase 40% de carga tributária no Brasil atual. Conforme apurou o jornal Valor Econômico, em 2013, o peso dos tributos brasileiros foram quase o dobro da média de 21,3% em 20 países da América Latina, os quais foram alvo de um estudo feito por organismos internacionais. Chegamos, conforme o estudo a 35,7% sobre o PIB, cobrados na forma de impostos.[i]

Jabour questionava porque que, agora, quando estamos com o peso de quase 40% no lombo, não está havendo nenhuma revolta como houve na época da Revolta de Vila Rica ou da Inconfidência Mineira?

Acho que estamos vivendo como os homens da caverna citados por Sócrates em A República de Platão. Estamos acostumados a sofrer a imposição do poder central em nos cobrar cada vez mais impostos. Desde que nascemos as coisas são assim e nunca vimos nada diferente disso, tal como os prisioneiros da alegoria do ateniense.

Os últimos anos da política e da economia nacional foram uma bela mostra de como estamos vivendo no reino das aparências. O governo mascarou o quanto pôde os graves problemas de gestão da ordem econômica, assim como tratou os escândalos de corrupção como se fossem apenas “intriga da oposição”. Passadas as eleições, eis que cai sobre nossas cabeças a bomba reveladora do enorme rombo que agora temos que cobrir com mais aumento de impostos.

A atividade econômica está encolhendo, o desemprego aumentando, a inflação está de volta, os impostos estão crescendo ainda mais… Onde vamos parar? O que fazer para estancar essa sangria?

Infelizmente, os partidos políticos brasileiros, com suas lideranças egoístas e demagogas, mostraram que não são dignos de confiança, não são capazes de mudar o País. Mas, o pior de tudo isso é que nós, como os prisioneiros da caverna de Sócrates e Platão, não conseguimos enxergar para além das sombras que são projetadas em nossa frente tanto pelos políticos quanto pela mídia que, por sua vez, é conivente com tudo o que está aí, já que as empresas de comunicação nunca são isentas o suficiente para se posicionar em favor da população. Elas se posicionam, sim, de acordo com os interesses do lucro.

Nesse sentido, algumas vozes acabam ficando isoladas, como a do jornalista Ricardo Boechat que, no início desta semana, fazia uma crítica do espetáculo que se criou em torno da imagem da Presidente Dilma andando de bicicleta. Segundo ele, foi dito à imprensa que mostra-la pedalando a tornava mais humana, como se pedalar fosse algo incomum e, mais ainda, não pedalar tornava as pessoas uma monstruosidade. No fundo, o ato dela de andar de bicicleta seria mais uma manobra midiática para reforçar o predomínio das aparências sobre o que realmente importa no cenário político brasileiro.

[i] Brasil tem a maior carga tributária da América Latina, diz OCDE, disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/3946654/brasil-tem-maior-carga-tributaria-da-america-latina-diz-ocde.

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Essência e aparência (parte 1)

por Sérgio Lopes

Esta semana, alguns colegas de trabalho e eu protagonizamos uma pequena discussão com um cliente que era atendido por um de nós. Tal cliente estava fazendo uma manifestação exaltada contra o atual governo federal, criticando todas os escândalos de corrupção e desmandos a que temos assistido diariamente nos meios de comunicação. Até aí, tudo bem. Quem não está indignado com tudo isso: a volta da inflação, o aumento dos impostos, o crescimento na taxa de desemprego, a redução de benefícios sociais, casados com o aumento das mordomias nos Três Poderes? A discussão tomou um outro rumo quando o cidadão reivindicou o retorno do regime militar como solução para todas essas mazelas. Como já manifestei aqui e em outros momentos, não estou mais alinhado com nenhuma ideologia partidária, então, se a pessoa está falando mal do governo, não me afeta. Certas críticas até têm o meu apoio ou as minhas ressalvas, conforme a conversa. O que eu não admito é a miopia, a irracionalidade com que as pessoas enxergam o que está acontecendo, fechando os olhos para algumas coisas e achando que todo o problema está apenas em um aspecto dos acontecimentos e, consequentemente, a solução também é simples e direta. No caso dele, a volta da ditadura militar representava a panaceia de que precisamos para ser um País de primeira linha. Não posso ficar calado diante de um absurdo como esse. O meu colega que o estava atendendo e dialogava com ele, tentou colocar alguns argumentos baseados em sua simpatia com a esquerda e com o PT, mas, evidentemente, quando se tem um interlocutor que não quer enxergar outra coisa, não há argumento que persista. Eu só comecei a ponderar com ele que a corrupção não era novidade no Brasil e que ela existiu tanto ou em maior grau durante o regime militar, com a diferença de que ela era oculta pela repressão. As mesmas empreiteiras que estão no centro do escândalo com a Petrobras são as mesmas que fazem obras para o governo central desde a época de Juscelino Kubitschek. Será que foi só agora, no governo do PT, que elas começaram a pender para o lado da corrupção, depois de mais de 40 anos? Só não vê quem não quer. E mais: eu disse a ele que achava que o atraso no Brasil era responsabilidade dos militares. O camarada ficou ainda mais irritado quando um outro colega entrou na conversa apenas para avacalhar, provocando-o dizendo que as coisas iriam se ajeitar com a volta de Lula na Presidência nas próximas eleições. O cara “subiu nas tamancas”. Saiu de lá cuspindo marimbondo. O governo militar, no Brasil, foi pródigo em propagar mentiras e mais mentiras sobre quase tudo, não só no plano político, sequestrando, torturando, matando e exilando brasileiros que queriam uma política transparente. Muitos políticos que, hoje, estão mandando no Brasil, estavam no poder, já na época dos militares. É o caso do sr. Sarney, Renan Calheiros, muitos caciques do PMDB e do DEM (que já nem sei se se chama DEM, ainda, depois de ter sido ARENA, PFL, entre outras denominações). Os caras nunca saíram do poder. Pois, então, se é essa mesma gente que está comandando a política no Brasil há décadas, existe alguma coisa aí que não está sendo percebida pelo eleitorado e pelo brasileiro comum, que fica acreditando em soluções do tipo “retorno do regime militar”. Se dermos uma olhada para a história, veremos que os países que têm histórico de regimes militares, experimentaram e experimentam um enorme atraso no desenvolvimento econômico e social. Vejam todos os países da América Latina. Agora, os países que, nos últimos 200 ou 300 anos, não tiveram ditaduras, estão em melhor situação, embora tenham outros problemas de natureza distinta. A verdade, é que os governos, de modo geral, se sustentam por meio de aparências. Vendem imagens daquilo que não são e apregoam o que não fazem como se tivessem feito. Basta prestar atenção nas propagandas oficiais que anunciam as obras que nunca terminam, os benefícios que não ajudam de verdade, as “maravilhas” proporcionadas por esta ou aquela gestão, quando, de fato, os contrastes ainda são uma forte marca na estrutura sócio-econômica brasileira. Na essência, o povo continua pagando o preço das mordomias, dos desvios de verbas, da roubalheira toda. “Vamos apertar o cinto, mais uma vez. Aumentar impostos, cortar investimentos em saúde, educação, segurança…” A tensão entre essência e aparência é um tema antigo na filosofia. A alegoria da caverna, de Platão, é uma das reflexões mais significativas sobre o modo distorcido como as pessoas enxergam a realidade e também como se recusam a ver o que está por trás das aparências. Nunca achei tão relevante pensar sobre isso como agora. A cultura contemporânea está marcada pelo predomínio da imagem e da aparência sobre o conteúdo, a essência, aquilo que realmente faz sentido. É claro que discutir o que é essência e aparência é tarefa para doutores. Mas, com certeza, qualquer um de nós tem uma noção do que isso significa. Trata-se de ser crítico em relação ao que vemos e ouvimos e ter uma postura ativa na realidade, colaborando para uma transformação efetiva da realidade e não um mascaramento como o que sempre fizeram os militares e que os governos posteriores aprenderam direitinho como fazer. O que deve prevalecer é a realização e não a publicidade. No filme Matrix, vemos personagens que querem manter as aparências do mundo virtual e outros que querem libertar as pessoas para a realidade nua e crua: estão sendo exploradas, sugadas e escravizadas por um regime que se sustenta na ilusão. De que lado ficaremos?

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O cavalo de Tróia brasileiro

Antes de mais nada, eu gostaria de me desculpar com os amigos e companheiros de valor que conheci e com quem convivi durante o período em que fui filiado ao PT. Ao mesmo tempo quero dizer que lamento que, a despeito de sua história de vida pública irrepreensível, tais companheiros tenham decidido continuar apoiando esse governo sem rumo que está levando o Brasil para um beco sem saída, frustrando as expectativas de milhões de brasileiros em um futuro melhor para todos. Em vez disso, vemos os sonhos e as esperanças do povo serem enterrados sob uma avalanche de escândalos de corrupção e desmandos para os quais não há nenhuma explicação a não ser a mais absoluta falta de qualquer senso de moralidade por parte dos políticos.

Quando iniciei este blog, eu não pretendia que ele fosse um espaço de militância político partidária nem tampouco um canal de discussões acadêmicas. Também não queria ficar tratando aqui de tragédias, violência, corrupção e outras mazelas. Mas é impossível não pensar que dediquei uma parte significativa da minha juventude, juntamente com muitos companheiros, à atuação em movimentos sociais e, posteriormente, em um partido que já não é mais o portador de uma novidade para os trabalhadores e os setores menos favorecidos da sociedade. Agora, esse partido se igualou aos demais, valendo-se de toda sorte de artimanhas e espertezas para barganhar cargos, vantagens e propinas vindas de todos os cantos.

Sim, eu estou decepcionado e desiludido. Em 1989, quando entrei para o PT, eu acreditei, piamente, que não havia nada mais emblemático e revolucionário do que um operário, um homem do povo, como nós, ocupando a Presidência da República pelo voto direto. Depois da derrota eleitoral, naquele ano, entrei de cabeça na militância, na fé de que cada ato realizado pelo conjunto de filiados e simpatizantes era um tijolinho a mais colocado na construção de um ideário e de uma história de lutas e conquistas para todos.

Mas, já em 1995, eu percebi que a prática cotidiana dos que tinham o controle da máquina partidária não espelhava uma preocupação com o pluralismo e a democracia e tampouco com a sinceridade e a honestidade. Foi em Guarapari/ES que se realizou, nesse ano, um encontro nacional do partido e em que tive a oportunidade de ver em ação os srs. José Dirceu, José Genoíno, Lula e cia. ltda. Lá eu tive uma pequena mostra do que eles eram capazes de fazer com os próprios companheiros de partido: golpes, jogo baixo, egocentrismo, egoísmo, desrespeito para com a democracia e a moralidade. Desde então, fui-me afastando aos poucos do partido, até me desligar por completo.

Mesmo não estando mais filiado, ainda continuei a acreditar em vários companheiros com os quais convivi e tinha certeza de que eram honestos e verdadeiros em suas propostas. Continuei a votar neles e no PT. Mesmo não estando mais filiado, ainda achava que o conjunto de idéias que sempre debatíamos era válido e era o referencial maior para todos eles.

Pois bem, o resto que veio depois disso, todos sabemos e está nos jornais de todo o mundo. Não é segredo. O partido autoproclamado revolucionário se tornou um autêntico “cavalo de tróia” trazendo destruição e ruína para o Brasil. Isso porque os que o controlam (quer dizer, o mesmo grupo que estava no controle em 1995) só estão preocupados consigo mesmos.

Alguns ex-petistas que eram, de fato, honestos e verdadeiros, não foram capazes de representar uma alternativa concreta para essa máquina viciada que se tornou o PT. Foram sufocados por expedientes de traição e golpismo, a exemplo do que ocorreu com a Marina Silva.

Agora, a nós brasileiros, não restou muita coisa. Sinceramente, não acredito em PSDB, PMDB ou qualquer outra sigla. Será preciso mais algumas décadas até surgir alguém de valor com a capacidade de se impor e trazer novidades boas para o País.

Eu só penso que o melhor a fazer, para mudar o mundo, é começar por pequenas mudanças em nosso âmbito de convivência diária, nos nossos lares, no ambiente de trabalho, no condomínio, nas rodas de amigos…, cultivando valores e idéias que nos levem a um patamar superior de ação coletiva verdadeiramente orientado pela ética.

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A vida em primeiro lugar

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Sérgio Lopes

A execução do brasileiro Marco Archer na Indonésia nos incomodou a todos. Em primeiro lugar porque é difícil admitir que alguém, mesmo que seja o Estado, tenha o direito de tirar uma vida, sob qualquer pretexto, com legitimidade. Sou contra a pena de morte, quero dizer de antemão. Acredito que ninguém tenha o direito de tirar a vida de outra pessoa. Não há como legitimar isso dentro da nossa cultura, a partir dos valores que cremos e que professamos. Sejam eles de cunho religioso, filosófico ou científicos.

Essa execução se torna emblemática porque, além de ser um compatriota nosso, desnuda as muitas contradições que vivemos no Brasil, um País em que a violência se tornou parte do cotidiano da maioria de nós. E já não há mais diferença entre grandes centros e interior. A violência se espalhou.

O espetáculo da corrupção a que temos assistido nos últimos tempos nos faz pensar que a segurança não melhora porque o dinheiro público está indo pelo ralo (ou melhor dizendo, para o bolso dos ladrões encastelados no poder).

Quando houve, aqui, um plebiscito sobre o desarmamento, a questão foi instrumentalizada pelos grupos partidários que fizeram do problema um argumento para suas demagogias de sempre, iludindo o eleitor e induzindo-o ao erro de acreditar que estaria mais seguro com o porte de armas liberado. Eu só considero o seguinte: uma arma serve apenas para matar, ou para machucar alguém. Eu não quero matar nem machucar ninguém, então, eu não preciso de arma. E creio que esse deveria ser o pensamento das pessoas. Não queremos nem devemos matar ninguém, então, vamos abolir as armas. Quem estiver armado só pode estar mal intencionado.

Agora, a questão do tráfico de drogas é um outro problema. Recentemente, quando o Uruguai liberou o uso da maconha, houve muita discussão e alguém chegou a ventilar a idéia de que o tráfico ilegal de drogas representava uma guerra que estava perdida pela sociedade e pelo Estado. Sabemos que, no Rio, por exemplo, a pacificação das favelas não representou do comércio de drogas ilícitas. Os noticiáios estão aí e não nos deixam ficarmos iludidos.

Agora, pensemos: qual a expectativa de alguém que vai para um país em que o tráfico de drogas é um crime punível com a pena de morte fazer exatamente isso, ou seja, levar drogas ilegalmente para serem distribuídas nesse país? Ele estava apostando na impunidade ou na sorte de não ser pego. Ele arriscou a própria vida e perdeu.

Não estou apoiando a Indonésia em sua decisão de executar traficantes, mas estou apenas constatando que o nosso amigo Marco Archer colheu o que ele plantou.

Nesse mesmo sentido, poderíamos refletir sobre outro evento ocorrido nos últimos dias e que chocou o mundo: o atentado contra os cartunistas da revista Charlie Hebdo. Eu sou contra o terrorismo, mas sabemos que os terroristas não seguem nenhuma lógica ou argumento que possamos usar para condená-los. Tenho certeza de que eles não estão nem um pouco sensibilizados com a comoção que se seguiu ao atentado. Pelo contrário, eles devem estar satisfeitos com o resultado. Atingiram seus objetivos. Agora, pensemos, o que posso esperar quando eu cutuco uma onça com vara curta? Por que eu deveria ou poderia provocar os terroristas naquilo que eles mais prezam: os princípios de sua religião fundamentalista?

Eu lamento a morte dessas pessoas: Marco Archer e os cartunistas do Charlie Hebdo. Condeno a pena de morte, assim como o terrorismo. Mas, precisamos usar de racionalidade para não provocarmos as reações irracionais dos fundamentalistas, porque eles estão prontos para dar o troco de que dispõem.

Acho que é hora de nós brasileiros pensarmos que os valores de uma sociedade justa, solidária e pacífica precisam ser reforçados em nossas ações cotidianas: no trânsito, na convivência familiar, nos círculos sociais, nos ambientes de trabalho, nos estádios de futebol e em todos os âmbitos da nossa cultura. Precisamos mostrar ao mundo que o brasileiro tem a estatura da honestidade, da firmeza de caráter, da bondade e da felicidade (por que não?).

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