A morte em Alphaville insiste na pergunta: de que, mesmo, precisamos para viver?

O Brasil acordou estarrecido na manhã desta sexta-feira, 24/05/2013, diante da notícia da tragédia ocorrida em um condomínio de alto padrão em Alphaville, bairro nobre de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, na noite anterior (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/05/briga-entre-vizinhos-resulta-em-3-mortes-em-condominio-de-alphaville.html). A perplexidade se deve ao fato de que, por um motivo aparentemente banal, um morador do condomínio, incomodado e enfurecido com o barulho supostamente provocado por seus vizinhos de cima, invadiu o apartamento de um casal e descarregou sobre eles o seu revólver, matando-os instantaneamente e suicidando-se logo a seguir.

Não é possível banalizar um fato tão trágico, mas todos sabemos que situações violentas envolvendo pessoas comuns e de bem têm ocorrido diariamente em todo o País. Também não há como simplificar a questão e apontar uma causa única para o problema. Mas, não há como negar que o ritmo da vida urbana vem estressando e neurotizando as pessoas em geral.

A vida em condomínios verticais se moldou como uma redoma para proteger os habitantes de edifícios residenciais de fragilidades típicas de casas isoladas como vulnerabilidade à ação de bandidos de todo tipo. Por outro lado, levou as pessoas a adotar um estilo de viver isolado e individualista. Normalmente, o morador de um apartamento pouco sabe sobre a vida de seus vizinhos. Não há um ambiente cooperativo para a convivência coletiva. Cada condômino sempre acha legítimo reclamar daquilo que lhe incomoda, mas mostra pouca disposição para colaborar na formação de uma pequena sociedade cooperativa e solidária.

Os vizinhos dos três mortos do episódio citado revelaram que a relação entre eles já vinha se desgastando em função de insatisfações de ambas as partes por causa de barulho nos apartamentos, principalmente. Além disso, o autor dos disparos vinha se tratando de uma doença grave, o que, provavelmente teria afetado seu estado mental e contribuído para o seu comportamento violento.

O complicado dessa história é que não há vilões e nem mocinhos. Trata-se de um efeito colateral da vida moderna. Mas, há um detalhe que me chama a atenção nesse caso: o fato de o empresário que cometeu os crimes ter uma arma registrada em casa. Embora tenha sido dito que o registro estava vencido, a verdade é que ele comprou a arma legalmente e a registrou.

Há 8 anos, aproximadamente, realizou-se no Brasil um plebiscito sobre a proibição do comércio de armas de fogo. Infelizmente, o assunto foi tratado como uma questão político-partidária e o que verdadeiramente interessava ficou de fora da discussão. O resultado é que o plebiscito foi desfavorável à proibição e o comércio de armas prosseguiu sob o argumento frágil de que era um direito do cidadão para “se proteger”.

Em minha opinião, uma arma nunca protegeu ninguém. A rigor, ela serve apenas para duas coisas: ferir ou matar alguém. Quem não tenha a pretensão de ferir ou matar uma pessoa, jamais cogitaria possuir uma arma. Por outro lado, quem possui uma arma, deve ter em mente que, algum dia, ver-se-á na contingência de usá-la para ferir ou matar. E, se o indivíduo for um descontrolado, emocional e psicologicamente falando, poderá representar um risco ainda maior.

Retornemos à pergunta: do que precisamos para viver? Definitivamente, não precisamos de armas. Arma é sinônimo de morte e destruição. Vejamos as guerras ocorridas, existentes e iminentes em todo o mundo, ao longo da história. Uma guerra só é boa para quem vende armas e não morre em consequência dela. Mas, para todo o resto da humanidade, ela é o fim.

Só podemos lamentar e chorar pelo casal e também pelo seu vizinho, todos mortos, por causa da falta de uma real compreensão do que é importante para viver. Se o condomínio fosse um espaço em que a cordialidade e o respeito reinassem sobre qualquer egocentrismo, qualquer conflito de interesses seria superado pacificamente e as pessoas se abraçariam no final, celebrando a amizade, a cooperação e a solidariedade como valores importantes para a vida.

A paz é importante para viver, mas ela não poderá ser construída pelas armas e sim com amor!

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