Para que Dia dos Namorados?

A origem do Dia dos Namorados possui diferentes versões, a maioria ligada à tradição católica. A mais aceita é a que associa a comemoração à homenagem prestada a um sacerdote de nome Valentim que teria vivido no século III d. C. Conta-se que o imperador romano da época, Claudio II, teria proibido a realização de casamentos, por considerar que os soldados solteiros eram melhores combatentes.[1] Além disso, os homens não se dispunham a ir para o exército romano e abandonar suas mulheres e famílias.[2][3]

Valentim, revoltado com a proibição, passou a realizar casamentos secretamente, tendo ele próprio se casado em segredo. Descoberto, foi preso, torturado e decapitado. Durante a prisão, teria se apaixonado pela filha cega do carcereiro, a quem, milagrosamente, teria devolvido a visão.

Os rituais de comemoração do dia de São Valentim (o dia dos namorados) teria, em sua origem, portanto, não apenas um caráter romântico, mas também um viés subversivo, já que se tratava de se posicionar contra o autoritarismo do imperador e a falta de liberdade para viver o amor conjugal.

Com o advento e a evolução do capitalismo e suas técnicas de marketing, o Dia dos Namorados se tornou, juntamente com o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia das Crianças e o Natal, uma data propícia para estimular o consumismo, pela ilusão de que o amor se compra com presentes, especialmente se se tratar de coisas supérfluas que não fazem falta para o bem viver de ninguém.

Neste século XXI, precisamos de uma nova visão que nos leve a viver e amar mais livremente, sem os ditames da mídia e sem nos enquadrarmos nos modismos que muito mais nos escravizam e embaçam a visão, de modo a não podermos enxergar o que é essencial, necessário e importante para a vida.

Vivemos um tempo de grande crise, em que as principais instituições que foram as bases para a nossa visão de mundo perderam grande parte de sua credibilidade. Nem Igreja, nem governos, muito menos as corporações capitalistas e/ou pretensos grupos ditos socialistas estão respondendo de maneira honesta e convincente às grandes questões que afligem o mundo de hoje.

É hora de repensarmos sobre o mundo que queremos para nós e nossos descendentes. Há muitas iniciativas em curso que têm apontado caminhos para uma superação dos limites impostos pela crise atual. Eu, particularmente, tenho visto com simpatia o conceito de redes, conforme propagado pela Escola de Redes (E=R), cujo idealizador é Augusto de Franco.[4]

A ideia de redes, tal como idealizada por esse autor, valoriza a noção de interação e de fluxo como motores do movimento social, em substituição às hierarquias e centralizações típicas dos grupos, sejam eles partidos, igrejas, empresas, governos ou quaisquer outras agremiações.

Essa nova perspectiva sobre a realidade oferece a possibilidade de que todos nos sintamos capazes e responsáveis pelas mudanças de que o Brasil e o mundo precisam. Tais mudanças começam em nossas próprias casas, em nossos círculos de convivência e não demandam a mediação de qualquer grupo.

Eu recomendo a todos pesquisarem sobre a Escola de Redes na internet e a refletir sobre uma nova visão de mundo a partir das redes. Uma visão despojada que, sem dúvida, poderá nos responder não só à pergunta-título deste texto, mas nos auxiliará em muito mais do que, por ora, imaginamos.


[1] Dia dos namorados. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_dos_Namorados.

[2] História do dia dos namorados. Disponível em: http://www.esteticderm.com.br/?p=24.

[3] Dia de São Valentim celebra santo que nunca existiu. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u68413.shtml.

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6 respostas para Para que Dia dos Namorados?

  1. Marly Uliana disse:

    Reflexão bacana, saiu do senso comum. Parabéns!

  2. Ale disse:

    Muito bom o questionamento, e muito legal a história deste dia. Mas vale lembrar que ainda tem muita gente que “precisa” e “quer” viver o romantismo deste e de outros dias. Particularmente adoro esse dia!!!!!! E sou muito feliz por ele existir.

    • Sergio Lopes disse:

      É interessante que esse romantismo era considerado subversivo quando se iniciou a celebração desse dia. Por isso mesmo, expressar o sentimento do amor romântico dava cadeia e morte! Hoje, em tese, ao menos, somos livres para amar. Dedicar um dia a isso é justo e legítimo. O problema é a substituição desse sentido por um consumismo que só faz alimentar a alienação em relação ao que é, realmente, importante para viver.

      • Ale disse:

        Mas como exemplo, pudemos observar que no dia de ontem, varias pessoas, aproveitaram o dia consumista e tiveram algumas iniciativas que deveriam ser diarias ou pelo menos periódicas. Demostrar o amor é sem dúvida nenhuma o melhor que podemos fazer… quer seja para o marido, a esposa, aos filhos, aos amigos… sempre é hora de dizer que os amamos.

  3. Elseana de Paula disse:

    Muito mais do que DIZER que amamos é salutar para o relacionamento agir como QUEM AMA. Importar-se com o outro, com seus sentimentos…por isso, DIA DOS NAMORADOS deve ser todo dia. Concordo que o comércio pode fazer as pessoas esquecerem do dia-a-dia. Pois, como “sempre haverá” UM DIA para comemoramos o “nosso dia dos namorados”, nesse dia “faremos tudo que não fazemos durante todos os outros 364 dias do ano”. Amo você, meu marido.

    • Sergio Lopes disse:

      Parafraseando o Jorge Benjor, antigamente, todo dia era dia dos namorados… Mas, agora, eles só têm o dia 12 de junho… Na verdade, se não houver amor no cotidiano, não haverá nenhum dia dos namorados. Por isso, cuidemos do nosso cotidiano. Todo dia é dia de amar. Eu também te amo, todos os dias. Beijos.

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