O concreto já rachou 2

Algumas semanas depois do início das manifestações que estão sacudindo o Brasil, estamos assistindo a uma movimentação sem precedentes dos políticos nacionais. Primeiro, eles quiseram tratar os protestos como caso de polícia, tratando o movimento como “de caráter político”. Após perceber que a marcha dos insatisfeitos só fazia aumentar, deixando de ser iniciativa apenas de jovens estudantes para abranger famílias inteiras, os governantes começaram a entender que não é brincadeira o que está acontecendo.

Nem a imprensa e nem os governos digeriram muito bem a onda de protestos. Depois de manifestarem publicamente não entender nada do que está acontecendo, começam a ensaiar algumas explicações e algumas saídas para a crise instalada. Há setores da mídia que querem, agora, dizer que sempre estiveram ao lado do povo e que, se não fosse por eles, a imprensa, o movimento não teria visibilidade e não poderia crescer tanto. Nada mais pretensioso. Não podemos esquecer que a imprensa é feita de empresas que visam o lucro e que se interessam por qualquer coisa que dê audiência, porque isso dá lucro. Pode ser um movimento político, uma rebelião de presos, uma chacina, uma tragédia, uma copa do mundo, qualquer coisa. “Deu audiência, tamo junto!”

A espontaneidade dessa mobilização que está tomando conta do Brasil é o aspecto mais inovador de tudo isso. As velhas lideranças de partidos, sindicatos e movimentos organizados foram a reboque. O povo não quer mais ficar parado e passivo diante de todas as mazelas produzidas pela classe política governante e que não dá soluções para os problemas mais básicos que afligem a população.

Agora, os políticos começam a analisar a situação com cautela e todos estão se movimentando. Governadores e prefeitos começam a cancelar aumentos nas tarifas públicas; a presidente convoca reunião do “núcleo duro” do seu governo e até o ex-presidente para discutir sobre os acontecimentos; depois, ela convoca reunião ministerial e chama prefeitos e governadores para conversar. A presidente faz discurso. O Congresso se manifesta. Promessas, mais uma vez, são feitas.

Mas, o movimento deve continuar. O que esperamos é que as pessoas sejam, de fato, conscientes do seu papel nas mudanças que queremos. Que todos possam participar e pressionar os governos a atender aos reais anseios da população. Tudo o que vemos é pompa e circunstância para políticos e sofrimento para o povo, na forma de péssimos serviços públicos prestados pelo Estado ou por empresas concessionárias. Mas, devemos estar atentos para não bancarmos os bobos, de novo. Uma frase que circula no Facebook resume bem o que quero dizer: “Não adianta ser um leão nas ruas e um burro na hora de votar!”.

Os políticos estão preocupados e percebendo que, de agora em diante, nada será como antes. Por isso, estão se mexendo para dar resposta ao clamor das ruas.

É, o concreto já rachou! É hora de mudanças!

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