O concreto já rachou 3

Ainda é cedo para dizer quais serão as reais consequências das mobilizações populares no mês de junho de 2013 para o futuro político do Brasil. Nem é possível fazer previsões sobre os impactos dessas manifestações sobre as próximas eleições, em 2014. Tudo o que se sabe é que desde a campanha pelas eleições diretas para presidente, em 1984, nunca se viu tanta gente na rua.

Alguns efeitos imediatos puderam ser percebidos logo, quando autoridades dos Três Poderes da República começaram a bater cabeça, na expectativa de responder rapidamente às diferentes reivindicações apresentadas pelos manifestantes. O STF mandou prender político condenado; o Congresso começou a aprovar matérias que estavam represadas há anos, com uma velocidade impressionante; governos estaduais e prefeituras em todo o País cancelaram reajustes já concedidos de tarifas públicas e congelaram as que ainda não tinham sido reajustadas; o governo federal anunciou várias promessas de investimentos e fez discurso pregando reforma política, propondo plebiscito de pouca ou nenhuma efetividade para as mudanças exigidas pelo povo nas ruas.

De repente, a classe política começou a falar como se estivesse em sintonia fina com a “voz das ruas”, depois de ter declarado não estar entendendo nada do que está ocorrendo. Até as centrais sindicais, que estavam “adormecidas”, resolveram ir a reboque do movimento espontâneo da população e convocar uma greve geral.

A imprensa, movida pelo interesse na audiência, aderiu ao movimento, dando ampla cobertura. Mesmo a Rede Globo, em uma iniciativa rara, suspendeu sua programação rotineira de novelas e telejornais para mostrar a movimentação popular em todo o País. Deu até no New York Times.

A crise de representação foi definitivamente desnudada, agora. Já não é mais possível enganar o povo facilmente. Nada de discursos ou promessas vazias. O que o Brasil deseja são ações concretas e respostas efetivas para os problemas vividos pela população.

Que essas manifestações não sejam apenas um espasmo festivo, nem “fogo de palha”, mas que seja um sinal definitivo de que os brasileiros são capazes de pensar e decidir por si mesmos, não permitindo que enganadores de plantão surrupiem o dinheiro público e vivam de privilégios enquanto o povo precisa de saúde, educação, transporte e, sobretudo, dignidade!

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