Vai ter copa ou não vai ter copa?

 

Sérgio Lopes

Mas, é claro que vai ter copa! E nós vamos torcer juntos e vibrar com o desempenho da nossa seleção. Se seremos campeões eu não sei, mas vamos transmitir toda a nossa vibração positiva para que o Brasil emplaque mais um título.

E a copa vai acontecer com os governantes que os brasileiros escolheram nas últimas eleições. Todos temos o direito de nos indignar contra a corrupção, a cara de pau dos políticos, a incompetência deles na gestão pública, o caos na saúde e na educação, a falta de infraestrutura viária, o transporte público deficitário, o desperdício do sagrado dinheirinho que pagamos por obrigação quando recolhemos os impostos e que, infelizmente, é mal utilizado.

Os problemas que foram vistos por nós e por todo o resto do mundo na organização desta Copa são os mesmos problemas que enfrentamos no cotidiano da nossa política, desde sempre. Não há novidade aí. Corrupção, superfaturamento, ingerências, má gerência, insensibilidade e descaso em relação ao que realmente interessa para o povo… Desde que eu me entendo por gente eu não vejo coisa diferente como resultado das ações desses senhores que nos governam.

E por que isso ainda não mudou? Será que nós gostamos de governos corruptos? Será que gostamos de sofrer com serviços públicos de má qualidade, enquanto os nossos mandatários passeiam de jatinho para todo lado, têm todo tipo de benefício e salários altíssimos e ainda riem na nossa cara? Por que é que isso não muda?

Na minha opinião, isso não mudou porque não tivemos, ainda, a coragem de dizer não a essa corja de aproveitadores. Porque nos deixamos enganar por seus belos discursos e esquecemos de olhar quem são esses tais que se apresentam como promessa de dias melhores. Eu acho que isso ainda não mudou porque muitos de nós continuam achando que o voto em branco ou o voto nulo resolve alguma coisa, ou sensibiliza os políticos para a nossa insatisfação. Pois saibam que eles não estão nem aí para votos brancos e nulos. Eles vão se eleger com os votos válidos, é o que importa para eles. E uma vez (re)eleitos, seguem o seu caminho fazendo o que fazem de melhor: nada para o povo e tudo para si.

O voto em branco ou nulo é apenas uma maneira de lavarmos nossas mãos diante da realidade e podermos dizer, depois, que não votamos nesse governo e, portanto, sentimo-nos isentos de culpa pelo estado em que se encontra o País. Pois, tal qual Pilatos passou à história como o covarde que não quis se comprometer e entregou o único homem verdadeiramente justo para ser crucificado, estamos nos acovardando em assumir que temos responsabilidade pela mudança em nossa política.

Alguns analistas gostam de dizer que temos, no Brasil, uma democracia jovem, porque a última ditadura saiu do poder há apenas 29 anos e a atual Constituição Federal vai completar, em breve, 24 anos. Em uma perspectiva histórica, esse seria um tempo curto para que houvesse mudanças de grande vulto em nossa cultura política, social e econômica.

De fato, se considerarmos que a transição do regime militar para o civil se deu de forma “pacífica”, quer dizer, mais porque os militares decidiram não mais ficar no poder do que por um movimento revolucionário de massas, essa transição dura até hoje, porque muitos políticos que estavam com os militares desde o começo, ainda estão no poder até hoje, como é o caso de um certo sr. Sarney. Entra governo e sai governo e ele está lá. Ao lado dele estão outros ilustres como Fernando Collor, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Edison Lobão e muitos mais.

Pois bem, se não mudaram as pessoas que estão mandando na política há décadas, como poderia acabar a corrupção e os desmandos a que temos assistido de camarote? O que precisamos é assumir que a política precisa de gente honesta e comprometida com a mudança do País para melhor. Precisa que nós, que nos indignamos, saiamos de nossa zona de conforto e passemos a discutir, nos organizar e ocupar espaços com propostas e com ações efetivas para a gestação de uma nova cultura brasileira que possa dar orgulho aos brasileiros. Precisamos sepultar a cultura do “jeitinho”, a “lei de Gerson”, o nosso egoísmo, o nosso conformismo e a nossa covardia.

Recentemente, tentaram acusar o único homem que teve coragem de se posicionar contra tudo o que há de podre na política e jogar pesado contra os corruptos de causar insegurança jurídica. Pois tanto a política quanto o meio jurídico precisam de muitos homens que se espelhem em Joaquim Barbosa, para que possamos sair do atoleiro em que nos metemos.

Vamos torcer pelo Brasil na Copa, vamos torcer pelo Brasil depois da Copa, nas eleições, na fiscalização do que estão fazendo com o nosso dinheiro e com o patrimônio da nossa nação. Vamos colaborar para que este País seja realmente grande, não só em dimensões geográficas, não só em escândalos, mas em exemplos de cidadania e de virtudes de um povo alegre e acolhedor.

Eu tenho orgulho de ser brasileiro e torço pelo meu Brasil no futebol, no vôlei, no atletismo e em todos os esportes, mas torço pelo Brasil também na política, na economia e no social. Torço para que nenhum outro país seja mais nem menos importante que nós, mas que nos respeitem porque somos BRASIL!!!!!

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