Enfim, encaremos a realidade

Sérgio Lopes

Passada a ressaca da Copa do Mundo, é hora de voltarmos nossa atenção para assuntos realmente importantes e que estão na ordem do dia. Dentro de pouco mais de dois meses, teremos, no Brasil, eleições para os governos federal e estaduais, além de renovação no Congresso e nas Assembléias Legislativas de todo o País. E, como não poderia deixar de ser, todos os assuntos que afligem os brasileiros estarão na pauta das discussões de todas as candidaturas.

Como vimos, desde as manifestações populares de junho de 2013, a população vem explicitando sua insatisfação com o acúmulo no déficit de soluções para problemas que se tornaram históricos no Brasil, como educação, saúde, segurança e transporte público. Além disso, o aumento constante de impostos, o desperdício de dinheiro público em obras que nunca terminam e a corrupção cada vez mais escancarada, fazem o povo se sentir enganado pelos políticos e ficar com a sensação de que não há remédio para os nossos males e, com isso, acomoda-se no seu dia-a-dia de trabalho e conformismo, sem saber o que fazer com a sua revolta.

A realização da Copa do Mundo aqui serviu para mostrar aos brasileiros como somos um país de múltiplos e grandes contrastes. Assistimos, em muitos noticiários e documentários, estrangeiros manifestarem certa surpresa positiva com a organização da Copa e a acolhida que aqui tiveram. Muita gente saiu daqui achando o País maravilhoso e, certamente, querendo voltar. É claro que nem todos ficaram satisfeitos, mas o modo como os estrangeiros se referiram ao Brasil e ao seu povo mostra que temos um grande potencial para ser uma nação de primeira linha.

Pois é, mas, e agora? Perdemos a Copa e os problemas estão aí. O que fazer? Precisamos mudar nosso jeito de votar. Deixar de acreditar em discursos e olharmos para a conduta dos políticos para sabermos quem são eles e o que estão dispostos a fazer, de fato. A gama de problemas é muito grande e as soluções são difíceis, então, eu, particularmente, não acredito em nenhum partido ou político como o portador único de salvação da lavoura. Eu acho que um mínimo de senso patriótico, de ética e vergonha na cara para os nossos políticos daria a eles as condições para serem colaborativos uns com os outros na busca de saídas para os dilemas que temos a enfrentar para superar as dificuldades que tanto afetam a vida das pessoas.
Agora, neste segundo semestre, teremos reajuste nos preços de várias tarifas de serviços públicos, em impostos e preços de modo geral, o que, inevitavelmente, levará a um aumento da inflação. E o que vemos, tanto no comportamento dos políticos e das autoridades, além do empresariado, é cada um procurando a melhor configuração de alianças para garantir suas posições e seus privilégios.

O debate político, no Brasil, é muito pobre. Vejam o que fazem, por exemplo, os principais candidatos à Presidência: ficam apontando os defeitos uns dos outros, em vez de apontar as soluções que aliviariam o sofrimento do povo brasileiro. Gastam seu tempo e sua energia tentando provar o quanto os outros não prestam em vez de mostrar como estão, de fato, preparados para administrar os recursos públicos com eficácia e eficiência. Casuísmo, demagogia, cinismo e muita cara de pau são a tônica dos discursos dos candidatos que vimos até agora.

Já os candidatos a cargos legislativos são sempre motivo de piadas, sempre. As suas plataformas de ação sempre começam com “sou evangélico”, “sou contra o casamento gay”, “sou a favor do casamento gay”, “sou contra o aborto”, “sou a favor do aborto”, “sou contra a pesquisa em células tronco”, “sou a favor da pesquisa em células tronco” e por aí vai. Esse tipo de debate, embora importante, não é o que precisa ser levado para as urnas. As coisas mais urgentes que estamos precisando são muito mais básicas: políticas públicas eficientes para saúde, educação, segurança, transporte público; reforma tributária; geração de emprego e renda…

O que queremos para o Brasil? Será apenas um título de hexacampeão mundial de futebol? Ou queremos uma vida melhor para nós e nossos descendentes? É hora de dar consequência ao movimento iniciado em 2013: não ficar apenas no protesto vazio, mas dar resposta nas urnas, tomar consciência do papel de cada um de nós na construção de um País que não seja apenas uma promessa, que não seja um “país do futuro”, mas uma nação e um povo do presente que tem energia para fazer carnaval e futebol, mas que também trabalha e constrói riquezas e caracteriza-nos como um “gigante pela própria natureza” que tem força, que tem voz no cenário mundial e, por isso mesmo, conquista o respeito da comunidade internacional não como uma piada, mas como exemplo de cidadania, de liberdade, de qualidade de vida e tudo o mais.

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