Para onde iremos?

 

Sérgio Lopes

 

Nós, brasileiros, estamos encurralados. A experiência democrática após o término do período de exceção do governo militar não tem sido satisfatória. Primeiro, depois de uma ampla campanha popular pelas diretas, fomos obrigados a engolir uma eleição indireta para presidente da república, em que foi escolhido um candidato que nem chegou a tomar posse, sendo substituído pelo seu vice, o sr. Sarney, um dos grandes amigos do regime militar. O mesmo Sarney que, agora, em tempos recentes, vem sendo um dos caciques do PMDB, ao lado de outros ilustres políticos que já estão, há décadas, mamando nas tetas do Brasil, tais como o sr. Collor, o sr. Calheiros, entre outros.

O PSDB, que nada mais é do que uma derivação do PDMB, também tem sua história. Não precisamos entrar no mérito dos fatos que são conhecidos por todos.

O que torna a situação mais desesperadora é que o PT, que surgiu como uma promessa de um novo jeito de fazer política em benefício dos brasileiros, acabou aderindo aos esquemas já tradicionais que sempre combateu. Aí, temos, então, um cenário verdadeiramente apocalíptico na política brasileira: não sabemos mais em quem confiar. Quem é o político que podemos chamar de honestos?

Se olharmos com atenção no Facebook, vemos os movimentos de alguns pré-candidatos às eleições deste ano criticando as prefeituras, os governos estaduais, o federal, mostrando tudo o que tem de ruim nas cidades e se apresentando como legítimos defensores da moralidade e de uma vida melhor para a população. Mas, a história é velha. Já sabemos que, depois das eleições, toda essa conversa é esquecida e a preocupação principal desses senhores passa a ser garantir para si e para os seus os privilégios e regalias a que a maioria do povo brasileiro não tem acesso.

Os escândalos de corrupção no governo do PT, infelizmente, não são novidade e nem serão os últimos. A corja que pede a cabeça desse acidente presidencial que se chama Dilma não tem respaldo moral para criticar ninguém. Vejam os joguetes que o presidente da Câmara faz por meio de ameaças veladas (ou expressas), manipulação da pauta de votação, enfim, atuando em nome do mais legítimo interesse pessoal e da sua corriola.

Os partidários de Lula e Dilma têm dado uma demonstração cabal da mais pura incompetência, ao tratar desses assuntos, ou seja, ao dar explicações para os escândalos (ou não dá-las), ao tentar escamotear a discussão, ao contra-atacar acusando os adversários com outros escândalos e apelando para o baixo nível. Nisso, o pessoal do PMDB, do PSDB, do DEM e outros derivados são profissionais e competentíssimos. Vejam o sr. Maluf: nunca foi preso e está aí “de boas”. O mesmo diga-se do sr. Sarney, do sr. Collor, do sr. Calheiros, do sr. Cunha…

Em junho de 2013, o povo esteve nas ruas em uma legítima manifestação de insatisfação contra todas as mazelas trazidas pelos sucessivos governos. Não havia partido, sindicato ou associação mobilizando, as pessoas foram às ruas espontaneamente. Não é isso o que ocorre agora, nessa convocação para ir às ruas neste domingo, 13 de março. Agora, há uma articulação política por trás desse movimento, que se aproveita da insatisfação geral que todos os brasileiros sentem para dar a ilusão de que a moralidade vai ser restabelecida.

Não estou defendendo o PT, nem Lula, nem Dilma. Quem me conhece, sabe que fui petista, mas que me afastei do partido há mais de 20 anos. Estou apenas ponderando para dizer que estamos em um beco sem saída. As pessoas vão à rua protestar, talvez haja o impeachment, mas o que vem depois? Deveríamos estar discutindo isso.

Eu defenderia que se convocassem novas eleições, o que não seria, necessariamente, uma solução, mas apenas para que fossem conduzidas ao comando da nação, pessoas com respaldo popular e não golpistas de plantão.

Na minha opinião, o PT merece sair do governo, mas quem merece ir para o seu lugar?

Só nos resta perguntar, como perguntei em um post anterior: “Oh!! E agora? Quem poderá nos ajudar?” (https://pensamentoeliberdade.wordpress.com/2016/01/05/oh-e-agora-quem-podera-nos-ajudar).

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2 respostas para Para onde iremos?

  1. Joao bosco disse:

    Achei abordagem pertinente

  2. Sergio Barbosa disse:

    tudo absoluta mente correto e pertinente
    Sergio Barbosa

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