Para onde iremos? II

 

Sérgio Lopes

 

Considerando o nível de manifestações de opinião dos usuários do Facebook e do Whatsapp, poderíamos dizer que estamos vivendo um uma época em que as pessoas estão altamente politizadas. São tantos posts criticando o governo, pedindo a cabeça da presidente, xingando o Lula e o PT, conclamando as pessoas a irem às ruas, a compartilhar protestos, ou usar roupas de cores específicas que representem um estado de ânimo frente à conjuntura atual que poderíamos inferir que o povo brasileiro nunca esteve tão politizado como agora. Só que não!!

Antes de dizer o que direi nas linhas abaixo, quero manifestar meu total descontentamento com o governo do PT, com os rumos que o partido tomou depois de chegar ao poder e afirmar que foi uma grande decepção! Sim, acho que o PT não merece mais governar o País!!

Pois bem, no final da década de 1970, eu era um adolescente que estava começando a descobrir a vida, digamos. Iniciei minha participação em um grupo de jovens da Igreja Católica que foi muito importante em minha formação intelectual e como cidadão também. Por meio desse grupo, tive a oportunidade de conhecer alguma coisa da realidade em que vivia o Brasil. Estávamos no último período da ditadura militar, que começou em 1964, e o general Figueiredo (presidente de então) seguia com a sua “distensão lenta, gradual e segura”, fazendo a transição para um governo civil sem grandes rupturas e sem maiores traumas.

Era 1979 e eu tinha 13 anos, fiquei intrigado com todas as informações que chegaram a mim e passei a me interessar por política, sem nunca ter tido influencia familiar ou de amigos para o fato. Comecei a devorar livros e jornais, em busca de notícias e idéias que me permitissem tomar posição sobre o que acontecia no Brasil. Lembro-me de que minha mãe trabalhava em uma biblioteca de uma subseção da Secretaria de Educação do Estado de MG e eu pedia a ela para trazer os jornais velhos que eles iriam jogar fora toda semana para que eu pudesse ler. Eu não podia comprar, então lia notícias velhas, com certo atraso. Mas, o que mais me importava eram as colunas de análises de vários comentaristas do JB, d’O Globo e da Folha de São Paulo, eles muito me ajudaram a ir compreendendo o que se passava com a nossa nação.

Eu me tornei um jovem muito afoito por fazer grandes discussões e análises sobre o nosso processo político e formar opiniões. Mas, a galera da minha idade não tinha a mesma sensibilidade. Por isso mesmo, eu sempre curti conversar com pessoas mais velhas e mais informadas.

Ao longo desses mais de 30 anos, eu não vi grandes mudanças no processo de formação da consciência crítica das pessoas com as quais convivi. A maioria sempre foi alheia ao que acontecia na política. Sempre desdenhou as discussões mais importantes e sempre votou por conveniência. Eu vi muita gente que era anti-Lula e anti-PT virar petista de carteirinha porque conseguiu alguma vantagem ou algum benefício ao longo desse tempo.

Agora, que a bomba explodiu no colo de todos nós, todas as pessoas que tiveram algum ganho de padrão de vida ao longo dos últimos 12, 13 anos, estão radicalmente posicionadas contra o PT, contra Dilma e contra Lula. Só que tudo não passa de uma insatisfação porque a água “bateu na bunda”.

Eu acho que, talvez, se tivéssemos sido mais críticos politicamente, desde quando tivemos a primeira eleição presidencial pós-ditadura militar, tivéssemos um cenário diferente. Mas, ninguém quer discutir nada. Todo mundo quer tirar Dilma e Lula, mas e depois? O que vem a seguir? Quem vai assumir? O PMDB que está tão sujo quanto? O PSDB, que já não tem nenhuma credibilidade? O PSC? O DEM?

Fazer oba-oba na rua é fácil! Difícil é construir um País sério!!

“Trabalha e Confia”! Esse é o lema positivista da bandeira do Estado do Espírito Santo. Todos estamos trabalhando, mas em quem vamos confiar?

Acho que chegou a hora de sairmos da nossa zona de conforto e discutirmos entre nós o que fazer para ir pra frente e deixar pra trás esse legado maldito da corrupção, que não começou com o PT, que já está arraigado em nossa cultura. Talvez, devamos começar a abandonar a ideia do “jeitinho brasileiro”, a falta de sensibilidade para com a situação do próximo e parar de ocupar indevidamente as vagas de estacionamento para idosos e deficientes, não furar mais filas, enfim, parar de barganhar vantagens em troca de favores.

O Brasil tem jeito se nós quisermos dar um jeito nele. Mas, todos teremos que por a mão na massa! Acreditemos nisso!

 

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